Juíza Selma aponta omissão de ex-presidente da Vale na tragédia de Brumadinho

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Senadora Juíza Selma ( Foto: Senado Federal)

DEPOIMENTO EM CPI
Todos os senadores presentes na CPI criticam a postura fria e evasiva do executivo

KATIANA PEREIRA/DA ASSESSORIA 

A senadora Juíza Selma (PSL-MT) criticou a falta de respostas concretas do ex-presidente da Vale, Fábio Schvartsman, na comissão parlamentar de inquérito (CPI) que investiga as causas do rompimento da barragem Córrego do Feijão, em Brumadinho (MG). Em audiência da CPI nesta quinta-feira (28), Schvartsman alegou que, por estar afastado da presidência da empresa, não poderia detalhar todas as informações pedidas pelos senadores.

A congressista informou que o posicionamento do executivo não o absolverá, nem evitará uma possível condenação por homicídio doloso. E destacou que Schvartsman teria a obrigação de conhecer os riscos da barragem de Brumadinho, por ter sido presidente da mineradora. “Essa omissão é típica e vai lhe levar por um caminho muito perigoso. Faça suas declarações ciente de que está cavando a própria cova”, asseverou a magistrada aposentada.

Questionado se as outras barragens da Vale são seguras e se o que ocorreu em Brumadinho teria sido realmente um acidente, Schvartsman respondeu que as leituras sobre o problema não teriam sido levadas a sério. O executivo declarou que somente ao final da investigação se saberá as reais causas do rompimento. “Se eu tivesse com essa culpa eu não estaria aqui; estaria internada no hospício. O cinismo e a frieza desse senhor são patológicos”, destacou a senadora.

Todos os senadores presentes na CPI criticam a postura omissa do ex-presidente. O senador Jorge Kajuru (PSB-GO) o classificou-o como um “presidente decorativo”. Ao declarar que a Vale só visa ao lucro, o senador disse que a tragédia em Brumadinho é um crime e que a mineradora age como “uma empresa assassina”.

O relator da CPI, senador Carlos Viana (PSD-MG), pediu que, ao responder às perguntas dos senadores, Schvartsman pensasse na sua trajetória e no processo criminal que deverá enfrentar. Viana questionou o executivo sobre os critérios usados por ele para afirmar, nove meses antes da tragédia em Brumadinho, que as barragens de rejeitos da Vale estariam em estado “impressionante” de qualidade, conforme publicado em matéria do jornal Valor Econômico, em 10 de abril de 2018.

Tragédia de Brumadinho

Barragem da Vale se rompeu no dia 25 de janeiro este ano na Mina Córrego do Feijão, em Brumadinho, Minas Gerais. A lama destruiu refeitório e prédio da mineradora, pousada, casas, a vegetação e contaminou o rio Paraopeba. Com o número de mortos identificados chegando a 216 e 88 pessoas ainda procuradas, essa é a maior tragédia já registrada no Brasil.

Mariana

Em novembro de 2015, outra barragem da Vale, na região de Mariana, também em Minas Gerais, se rompeu, matando 19 pessoas, destruindo totalmente três distritos – Bento Rodrigues, Paracatu de Baixo e Gesteira, esta última a 60 km de Mariana – e deixando milhares de pessoas desalojadas.

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