Juíza Selma: conheça a parlamentar que desafiou os políticos corruptos

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A senadora Juíza Selma sempre foi conhecida pelo estilo linha-dura no combate à corrupção, condenando vários políticos em Mato Grosso. Em 2018, deixou os 22 anos de magistratura para entrar na vida política. Foi eleita, com 678.542 votos, parlamentar mais votada do estado. Selma contrariou o interesse de grupos poderosos, formados por políticos e tradicionais empresários influentes envolvidos em corrupção e desvio de dinheiro público. Em 2015, no comando da sétima Vara Criminal de Cuiabá, prendeu o ex-governador de Mato Grosso, ex-secretários de governo, ex-presidente da Assembleia Legislativa e também o ex-presidente da Câmara dos Vereadores de Cuiabá. Por isso, não demorou para sentir na pele os reflexos do seu trabalho no Judiciário.

A parlamentar, que atuou fortemente este ano em pautas ligadas ao combate à corrupção e ao crime organizado, tendo participado de movimentos a favor da CPI da Lava Toga, do fim do foro privilegiado e da prisão em segunda instância, acabou sendo alvo de um rápido trâmite de processo no Tribunal Regional Eleitoral e no Tribunal Superior Eleitoral que, ontem (10), resultou na confirmação, por 6 votos a 1, da cassação de seu mandato ao Senado.
No TSE, cinco ministros acompanharam o voto do relator, ministro Og Fernandes, proferido na sessão da última terça-feira (3), quando o julgamento do caso foi iniciado. O único a divergir do relator, o ministro Edson Fachin argumentou que não se colhe, nos autos, provas suficientemente robustas para justificar a cassação de um candidato eleito por votação popular. “Em meu modo de ver, a solução adequada ao caso é dar provimento aos recursos, reformando o acórdão do TRE do Mato Grosso, afastando todas as sanções impostas. Em consequência, estão prejudicados os demais recursos ordinários”.
O senador Álvaro Dias, líder do Podemos no Senado, classificou o voto de Fachin como brilhante e prestou solidariedade à colega de partido. “Lamentamos principalmente porque o voto do Fachin (ministro que se posicionou contra a cassação) foi brilhante e poderia direcionar os demais. Infelizmente, a ordem de votação nos prejudicou terrivelmente. Estamos juntos, você é forte, a sua dignidade supera qualquer injustiça, e o voto do Fachin como você mesmo disse, lavou a sua alma, isso que é importante. Não tenho palavras para me expressar, uma carreira brilhante que apenas se iniciava e foi decapitada desta forma irresponsável no meu entendimento”. E completou “evidentemente que é preciso respeitar as decisões judiciais, mas é muito difícil não afirmar que foi insensata. Você é vítima de uma injustiça que certamente provoca essa dor cruel que você está sofrendo agora, mas você está acima dessas circunstâncias com a sua dignidade, decência e honradez e, certamente, é o que vale nessa hora”, disse em vídeo.

No mesmo dia de sua rápida cassação de mandato, a senadora Juíza Selma foi a relatora de uma importante medida para o combate à corrupção. A Comissão de Constituição e Justiça do Senado aprovou, por 22 votos a favor e um contra, a proposta que reestabelece a prisão em segunda instância.

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