Na fronteira Mato Grosso-Bolívia, traficantes abrem estradas é “no facão”, alerta Selma

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Um dos grandes erros cometidos no Brasil  quanto o combate às organizações criminosas ligadas ao tráfico de drogas é dar muita visibilidade para os grandes centros e ignorar a raiz do problema, que está  na fronteira de Mato Grosso com a Bolívia.

A opinião é da senadora Selma Arruda (PSL) que, quando juíza criminal, trabalhou em Cáceres  de 1999 a 2003, ocasião em que constatou in loco, a intensidade  do tráfico em toda faixa de fronteira seca, compreendida em mais de 720 quilômetros.

“Deviam olhar mesmo é para a raiz do problema, onde começa. Enquanto estoura uma operação no Rio de Janeiro ou em São Paulo, eles dão uma visibilidade enorme a esses grandes centros e ignoram a fronteira de Mato Grosso com a Bolívia, que é por onde entra, por exemplo, quase toda a cocaína traficada e consumida no país”, diz Selma, defendendo um controle mais rigoroso na fronteira, afinal, “tudo entra por ali e nós não conseguimos falar isso para o Brasil”.

A senadora  chama a atenção para a facilidade que  os traficantes encontram para driblar a polícia e a Justiça, na fronteira seca, em pleno cerrado entre os dois territórios. Geralmente eles usam as estradas improvisadas, as chamadas “cabriteiras” para passar com a droga.

“Lá não tem árvores, são arbustos que se cortam no facão. Se o sujeito quiser passar num lugar, na fronteira seca, é só fazer uma estrada  e se a polícia aparecer, ele faz outra ali do lado, no facão a qualquer hora do dia ou da noite” , ilustrou Selma.

Outra falha na segurança da fronteira apontada pela senadora é quanto ao  escasso efetivo policial. Nesse aspecto, um fator que torna ainda mais frágil o controle de combate ao tráfico.

Uma  alternativa usada sempre pelos sucessivos governos, ao longo dos últimos, na intenção de amenizar o déficit do efetivo policiais, são os concursos públicos, mas nem isso tem adiantado, segundo a senadora.

“O problema é que há mais direitos do que deveres, ou seja,  servidores fazem concurso para Mato Grosso, só que  aí, o sujeito tem família  no Rio de Janeiro, na praia  e então ele tem o direito de  viver perto da família e muda para lá, deixando desguarnecida nossa fronteira”, disse, que no começo desse mês cobrou, pessoalmente, do ministro Sérgio Moro, maior atenção do governo federal, no que se refere a investimento no aparato de segurança na fronteira mato-grossense.

Nesse sentido, Selma Arruda também tem aberto, aos segmentos de segurança pública do Estado, como a Polícia Judiciária Civil e o Exército,  o Pacotão Anticrime, apresentado por Moro aos parlamentares em Brasília.  Selma quer que esses setores analisem e façam sugestões para aprimorar as propostas do ministro da Justiça. Para Selma, há muito que absorver da experiência tanto dos delegados civis, como dos homens da  13 Brigada do Exército, que possuem larga experiência em segurança de fronteira.

 

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